Descomplicando a criatividade: um manual para se tornar mais criativo.

Se engana quem pensa que a habilidade está destinada aos artistas. Sofia Esteves ensina como manter sua mente criativa.

A criatividade é a responsável por nos ajudar a encontrar soluções para os desafios cotidianos e pelas boas ideias que impulsionam nossas carreiras e negócios. Não à toa ela se tornou uma das softs skills mais importantes para o futuro do trabalho.


No entanto, se engana quem pensa que essa habilidade está destinada aos artistas, ou aos gênios. Basta observar as crianças brincando para perceber como a criatividade faz parte da nossa natureza.


Mas, por que é tão desafiador se manter criativo?


É na infância, principalmente nos sete primeiros anos, que boa parte da nossa personalidade é formada. – Pai, mãe, olha o que eu fiz! Olha o que eu sei fazer! As crianças adoram nos mostrar cada nova descoberta, não é mesmo?


No entanto, cuidadores ocupados demais, ou sem paciência, não têm tempo para validar e elogiar as crianças. Mas, você sabia que a criatividade está intrinsecamente ligada a motivação?


Junto a isso, o modelo tradicional de ensino exige que crianças, cheias de energia e potencial criativo, permaneçam sentadas ouvindo os professores, sem questionar, por anos a fio!


A única motivação que elas têm são as avaliações. As notas “definem” a “inteligência” dos alunos e, a partir disso, criamos perfeccionistas e ansiosos, com medo de não serem bons o suficiente. Acontece que, o perfeccionismo é o maior responsável pelo bloqueio criativo e pela perda da capacidade de inovar.


Em seu livro “How Creativity Works” (Como a Criatividade Funciona), o neurocientista americano Jonah Lehrer, apresenta dados de um estudo que realizou em uma escola tradicional americana.


Ele observou que nos primeiros anos, 95% das crianças são criativas. Mas, a partir da 5ª série, a criatividade cai para 50% e no Ensino Médio, o índice é de apenas 10%.


Sendo assim, os profissionais chegam ao mercado esquecidos dessa capacidade, mas envoltos de pressão para serem originais e inovadores. Então, como criar o amanhã se estamos crescendo em meio a regras arcaicas?


Já que não é possível mudar o passado, precisamos usar o presente para fazer um futuro diferente. Logo, cabe a você, as empresas e as escolas, entenderem que a criatividade é construída através dos estímulos certos e caminhar em direção a essa reconexão.


Os princípios da criatividade

Confiança e atitude: Henry Ford certa vez disse: “Se você acredita que pode, você está certo. Se acredita que não pode, você também está certo”. Para começar um processo criativo, primeiro é necessário confiar que será possível.


Atenção: encontrar uma boa solução exige que você perceba claramente o desafio em que está inserido. Ou seja, que tenha atenção, sem distrações, inclusive emocionais.


Curiosidade: essa habilidade é a base da criatividade. Seja curioso e questionador, só assim você vai chegar aonde outros não chegaram por preguiça de saber mais. A importância da curiosidade se estende para toda a nossa vida. Quanto mais aprendemos, mais repertório adquirimos para criar algo novo.


Coragem: o medo do fracasso e da rejeição criam a ansiedade e o perfeccionismo, minando a criatividade. Coragem não é ausência de medo, é enfrentar o medo. Tudo bem ter medo, mas ele não pode ser maior que a sua vontade de fazer algo dar certo. Experimente criar algo com confiança e perceba os resultados.


Mudança de lente: só é possível inovar se houver um pensamento diferente da linha de raciocínio em que o desafio foi criado. Quebre as regras do pensamento lógico, evite o autojulgamento e permita-se pensar de maneira inédita.


Resiliência sem teimosia: o segredo do sucesso está em manter-se firme apesar dos tropeços no caminho. Contudo, não confunda persistência com teimosia. Teimosia é insistir num projeto quando todas as evidências mostram que seus objetivos não são realistas.

Dicas simples para estimular a criatividade